segunda-feira, 12 de setembro de 2016

XII Recriação Histórica do Cerco de Almeida - Reportagem video-fotográfica(8): Combates noturnos - 27-8-2016


Caríssimos(as),
Como é habitual, o momento alto do Cerco de Almeida foi a "batalha" realizada no sábado à noite, nas Portas de S. Francisco!


Bem sabiamos nós, os bravos defensores da Praça de Almeida, que os franceses preparavam um novo ataque à fortaleza. Aliás, desde cedo as extensas colunas de ataque do Exército Francês foram detetadas pelos nossos elementos de infantaria ligeira, que estavam espalhados pelos campos envolventes à fortaleza.


O que motivou também os movimentos e a deslocação de diversas unidades do Exército Aliado para diversos pontos da fortaleza, uma vez que não era conhecido o ponto exato de ataque dos franceses.


Enquanto isso, os populares de Almeida estavam espalhados pelos campos, dedicando-se às respetivas tarefas e trabalhos agrícolas, esperando que os franceses chegassem atrasados à hora do combate (como veio a suceder...).


Aliás, a boa disposição era a nota dominante nos populares, que aparentemente não se importavam de ainda estarem a trabalhar no campo, apesar de já ir alta a noite...



Até que o inevitável aconteceu!

Os franceses acabaram por chegar às muralhas de Almeida, ouvindo-se de imediato o grito tantas vezes repetido no decurso da Guerra Peninsular: Vêm ai os Franceses!


E foi então que assistimos à entrada a galope em campo de um destacamento de cavalaria francesa, que de imediato se dirigiu para as populares portuguesas, que pacificamente se dedicavam aos seus trabalhos agrícolas (para fazer sabe-se lá o quê...).


Felizmente que havia um destacamento de cavalaria aliada por perto, que impediu este desiderato dos franceses, salvando a honra das nossas populares!


 

O problema, no entanto, foi que atrás da cavalaria vinham numerosas colunas de soldados franceses, que de imediato começaram a progredir no campo de batalha, fazendo um nutrido fogo de mosquete.



Tendo, no entanto, a sua progressão em campo sido contrariada, designadamente, pelos nossos bravos soldados de infantaria ligeira, do Batalhão de Caçadores nº 6.




Tendo os nossos soldados de infantaria ligeira ganho um tempo precioso e permitido a chegada aos combates dos valentes regimentos de infantaria de linha do Exército Aliado, onde se incluíam o Regimento de Infantaria nº 23 e o Regimento de Infantaria nº 19.




Bem como a chegada dos nossos destacamentos de artilharia, cujo fogo nutrido das respetivas peças de artilharia causou pesadas baixas nas linhas adversárias.


E bem cedo ficou patente o resultado da violência dos combates em curso, ficando o campo de batalha pejado de soldados feridos (ou a descansar, conforme a perspetiva...).




E foi então que voltaram a entrar em campo os nossos diligentes populares, dedicando-se a ajudar os soldados em "sofrimento" e a retirá-los para o hospital, que estava instalado no campo de batalha.



No qual (hospital) todos eles recebiam os cuidados de saúde e os "carinhos" necessários para uma recuperação célere a fim de voltarem aos combates (até porque o número de camas de palha disponível era limitado...).



Aliás, os tratamentos e os "carinhos" dispensados pelo Corpo de Enfermeiras de serviço era de tão boa qualidade que houve até alguns soldados que preferiram ficar pelo hospital em repouso, ao invés de voltarem a enfrentar as incertezas do campo de batalha...


Motivo pelo qual em certas altura foi necessário recorrer à ajuda da guerrilha popular, para deter o ímpeto de alguns assaltos dos franceses!




E, como é habitual, nos locais onde o perigo era maior e havia o risco de rutura das linhas do Exército Aliado, era possível encontrar o modesto Comandante do GRHMA, a inspirar as suas tropas!
 


No entanto, o inevitável acabou por acontecer!
(até porque fazia parte do programa do evento...)

Uma vez mais, uma granada de artilharia francesa encontrou o caminho para o paiol (aberto) da fortaleza de Almeida e fez explodir as várias toneladas de pólvora ali armazenadas!




Todavia, esta tremenda explosão não significou o fim da "festa", mas antes o início de um fantástico ESPETÁCULO PIRO-MUSICAL!


Autoria das imagens: Paulinha, Carlos Marques, Valischka, Fernando, Histoarts e Alma & You.


Pedro Casimiro





quinta-feira, 8 de setembro de 2016

XII Recriação Histórica do Cerco de Almeida - Reportagem video-fotográfica(7): Homenagem ao Executivo da Câmara Municipal de Almeida - 27-8-2016


Caríssimos(as),

No final da tarde do dia de sábado e antes da cerimónia do arriar das bandeiras, os recriadores históricos presentes no Cerco de Almeida reuniram-se junto aos Paços do Concelho, a fim de prestarem uma merecida homenagem, aos membros do Executivo da Câmara Municipal de Almeida.

Essa homenagem, que obviamente se considera extensiva ao conjunto dos funcionários e colaboradores do Município de Almeida que, ao longo de todos estes anos, têm executado com zelo e dedicação as diretivas emanadas do Município de Almeida, destinou-se a concretizar o reconhecimento público pelo trabalho e pelo esforço desenvolvido por todos os responsáveis políticos, passados e presentes, do Executivo da Câmara Municipal de Almeida, na pessoa do atual Presidente da Câmara, o Sr. Prof. António Baptista Ribeiro, em prol da promoção e da divulgação da História de Portugal, em Portugal e no estrangeiro.


Vários dos recriadores históricos presentes disponibilizaram-se para verbalizar publicamente esse agradecimento e reconhecimento, tal como sucedeu com o nosso amigo Carlos Salvador, atual Presidente da Associação Napoleónica Espanhola.


O nosso camarada Daniel Dieu, Presidente da associação Le Garde Chauvin, também tomou a palavra para proferir algumas palavras de reconhecimento ao Executivo Camarário.

Uma vez mais e à semelhança do que sucede todos os anos, este nosso camarada apresentou um novo pedido de concessão "asilo político" ao Sr. Presidente da Câmara de Almeida, a fim de poder mudar-se de armas e bagagens para Almeida, uma vez que se sente sempre em casa de todas as vezes que faz uma visita à Estrela da Beira Alta.


Os populares e a guerrilha também tiveram voz nesta cerimónia, representados por este já nosso conhecido "clérigo", do grupo da Guerrilha de Montagraço.


A nossa amiga e camarada de armas de Arroyomolinos (Sara), também se disponibilizou para participar nesta cerimónia.


Aqui podemos ver o nosso amigo Jorge, na sua veste de oficial Britânico, que também proferiu algumas palavras de reconhecimento


Tal como sucedeu com o nosso amigo Faria e Silva, na sua qualidade de Presidente da Associação Napoleónica Portuguesa.




Eu próprio, na qualidade de Comandante Operacional do GRHMA, também tive a oportunidade de, além do mais, manifestar publicamente o reconhecimento que é devido pelo apoio prestado pelo Município de Almeida à nossa associação, apoio esse que vai além do mero apoio material e que passa principalmente por uma verdadeira identificação e partilha de objetivos e de valores, associados quer à promoção e salvaguarda da História de Portugal, quer à promoção e salvaguarda do património histórico-cultural do concelho de Almeida.


O discurso de encerramento desta cerimónia foi proferido pelo Sr. Presidente da Câmara, que fez, designadamente, uma referência ao facto de que a História e a Cultura constituem compromissos sempre presentes do Município de Almeida.


Aqui temos a placa oferecida pela Associação Napoleónica Portuguesa ao Município de Almeida.


Aqui podemos ver a oferta ao Município, feita pelo GRHMA.


Não é propriamente possível ver esta oferta, de tão bem embrulhada que estava, mas contamos todos poder ter a possibilidade de a vislumbrar, num futuro próximo...


Autoria imagens: Valischka, Carlos Marques, Histoarts.


Pedro Casimiro





segunda-feira, 5 de setembro de 2016

XII Recriação Histórica do Cerco de Almeida - Reportagem video-fotográfica(6): Acampamento histórico (demonstrações de cavalaria e artilharia) - 27-8-2016



Caríssimos(as),

A tarde de sábado, desta excelente edição do Cerco de Almeida, não se resumiu a descanso e boa vida, no acampamento histórico, ao contrário do que parece dar a entender o nosso último post!

Muito pelo contrário, foram realizadas algumas demonstrações histórico-militares muito interessantes, para gáudio do público assistente.


A primeira dessas demonstrações esteve a cargo dos nossos amigos da Associacion Historico y Recreativa Husares de Iberia, que constituiu o destacamento de cavalaria de época presente neste evento.


Estes nossos companheiros concederam ao público presente uma oportunidade soberana para visualizar um conjunto de táticas e de movimentos de cavalaria próprios do período das Invasões Francesas, tais como combates com arma branca (sabre ou espada) ou disparos de mosquete, com o cavalo a galope, entre outros movimentos interessantíssimos.



São sempre necessários vários anos de trabalho para se conseguir o tipo de coordenação, entre cavalo e cavaleiro, que estes nossos amigos demonstraram e com que deliciaram o público presente, para além de ser necessário um avultadíssimo investimento para aquisição de uniformes e das mais diversas peças de equipamento necessárias para equipar um cavaleiro do início do séc. XIX.

Bem haja pela dedicação destes nossos camaradas à nossa História!


Outros elementos participantes que não deixam nada a dever à dedicação, são os nossos artilheiros!

Isto de andar a carregar com peças de artilharia com 300 e mais quilos de peso, tem mesmo que se lhe diga e que o digam os nossos artilheiros!


E para que conste que em Almeida ainda existem muitas mulheres de armas, temos já duas senhoras do nosso departamento civil que já estão a preparar todo o fardamento e equipamento necessário para requerer, ao generoso Comandante do GRHMA, a respetiva transferência para o Regimento de Artilharia nº 4.

Será de prever que o nosso Comandante, com a sua generosidade habitual, venha a aceitar estas transferência, condicionadas, claro está, à realização dos necessários testes de aptidão (físicos e psicológicos), nos termos que irão ser revelados na próxima edição da Escola do Soldado...



Onde, já há alguns anos, existe um profusão de valentes meninas/senhoras artilheiras é na Brigada de Artilharia Naval e Guerra (BANG), dos nossos camaradas de Lisboa!

Um dia destes o nosso amigo Mário Ribeiro vai ter de nos revelar os locais onde é possível encontrar este tipo de "recrutas", em tal quantidade...



Sem querer adivinhar, se calhar até apostava que está em causa o mesmo local onde os nossos camaradas espanhóis também fazem o respetivo recrutamento, pois, como podemos ver na imagem supra, esta unidade de infantaria ligeira inglesa (proveniente de Arroyomolinos) é exclusivamente composta por mulheres...



A artilharia francesa fez todos os esforços possíveis, para tentar demolir as muralhas de Almeida, com os disparos das suas peças de artilharia de grosso calibre.

No entanto, a conjugação dos bravos artilheiros portugueses, com as excelentes muralhas da Vila de Almeida, revelaram-se uma vez mais um obstáculo intransponível...

Autoria das imagens: Histoarts e Carlos Marques.


Pedro Casimiro




domingo, 4 de setembro de 2016

XII Recriação Histórica do Cerco de Almeida - Reportagem video-fotográfica(5): Acampamento histórico (dia 27-8-2016)


Caríssimos(as),
Outra vertente importante do Cerco de Almeida, em termos de divulgação histórico-cultural, teve a ver com o conjunto de atividades que se desenrolaram em torno do acampamento histórico, que este ano foi uma vez mais montado no baluarte de S. Francisco.


O nosso amigo Miguel Guedes esteve de serviço numa das tendas de comercialização dos mais diversos objetos e peças de equipamento em uso no início do séc. XIX. 


Nesta tenda e por uma módica quantia, foi possível adquirir um conjunto de peças e acessórios únicos, que provavelmente não estão disponíveis no centro comercial mais próximo...


O nosso sargento Joaquim Guedes, por seu lado, instalou no acampamento histórico uma mesa, para divulgação de um dos seus temas favoritos: a artilharia e a pirobalística do início do séc. XIX 


Este nosso camarada é o orgulhoso detentor de um conjunto de réplicas de equipamentos únicos neste âmbito, todos eles feitos de raiz e mediante utilização de materiais de época e por ele próprio, depois de aturadas investigações bibliográficas e em museus histórico-militares.


Já as senhoras do departamento civil do GRHMA também deram o exemplo, em termos de trabalho feito no acampamento histórico! Aqui podemos ver algumas das nossas amigas numa das tendas de acesso livre ao público, retratando as peças e os acessórios de uso corrente em Oitocentos.


Outra oficina importante, existente do acampamento histórico, foi a barbearia (de época)!

Na imagem supra podemos ver alguns dos instrumentos associados ao ofício de barbeiro do início do séc. XIX, o qual, como (quase...) todos sabemos, também exercia funções de "cirurgião" (quando acompanhava os exércitos), quando a necessidade o impunha.

Estes magníficos objetos de época foram gentilmente cedidos ao GRHMA pelo nosso amigo Faria e Silva.


No entanto, a parte mais importante de um acampamento histórico-militar são, como não pode deixar de ser, os soldados!


E nesta matéria quem deu o exemplo foram os nossos camaradas franceses, das diversas unidades que integram a Garde Chauvin, da qual podemos ver na imagem supra alguns dos respetivos oficiais.


Obviamente que a melhor maneira de começar o dia no acampamento histórico-militar passa pela realização da formatura matinal! 

Esta costuma ser a parte do dia que mais agrada a qualquer soldado que se preze, em que ele tem de se levantar bem cedo da cama, vestir o seu uniforme e envergar todo o seu equipamento de combate, para inspeção pelos oficiais, sempre sujeito às simpáticas repreensões dos seus oficiais, quando alguma peça está fora do sítio.

É um dos verdadeiros prazeres da vida de soldado...



Por isso é que, por via de regra, os soldados que se prezam fazem todos os esforços para manter todo o seu equipamento alinhado e operacional.


E a peça de equipamento cujo "alinhamento" e mais necessário manter é o mosquete, que no caso dos franceses é o mosquete Charleville, modelo 1777, corrigido em 1800 ou ano IX (de acordo com o chamado calendário repúblicano francês).

Por isso é que na imagem supra podemos ver vários soldados franceses no ato de limpar e olear os seus mosquetes, de molde a garantir a respetiva operacionalidade (o que, em média, implica conseguir fazer 3 disparos, em 6 tentativas...)


E depois deste trabalho extenuante, nada como uma boa soneca, de preferência à sombrinha, mas sempre com o mosquete por perto, não vá suceder apetecer ao "inimigo" fazer um ataque de surpresa...


Os nossos camaradas espanhóis (Associacion de Recreacion Historico Cultural de Asturias), que neste caso recriam uma unidade militar britânica (42nd Regiment of Foot/Royal Highland, conhecido por Black Watch) também deram o exemplo e mostraram como se trabalha no acampamento histórico.

Claro está que, usar umas saias amplas e bem arejadas, como historicamente sucedia com os soldados britânicos deste regimento e que também são usadas por estes nossos amigos, facilita a realização de qualquer trabalho...


Aqui podemos ver estes nossos camaradas com o seu equipamento completo (saias incluídas...).


O acampamento histórico serviu, também, de parque da artilharia!


Nestas imagens podemos ver os nossos amigos do 8.º Regiment d'Artillerie a Pied, que nos brindaram com a sua presença neste evento, juntamente com a sua peça de artilharia de grande calibre, que fez um verdadeiro sucesso neste evento!

Estes nossos amigos alemães fizeram uma viagem com a duração de 3 dias (sem contar com os 3 dias necessários para o regresso a casa...), acompanhados da sua peça de artilharia, a fim de poderem participar neste evento.

Bem haja pela vossa presença!


As maravilhosas peças de artilharia do GRHMA também "aparcaram" no mesmo parque de artilharia, mas num lugar especial, mais arejado e com muita sombrinha, para não se estragarem, de acordo com instruções expressas nesse sentido, dadas pelo nosso cabo de artilharia António Guedes.


E aqui podemos ver o nosso cabo de artilharia, do Regimento de Artilharia nº 4, a verificar se as suas instruções relacionadas com o "aparcamento" das peças de artilharia estavam a ser devidamente cumpridas...


Na verdade, todo o cuidado é pouco, quando se toca a cuidar das nossas lindas meninas!

Aqui podemos ver um close-up de uma das nossas lindas meninas (chamada "IGP"), com destaque para as armas reais em relevo, de D. José I.


Na imagem supra podemos ver dois dos nossos camaradas artilheiros da Brigada Naval de Artilharia e Guerra (Associação Portuguesa de Recriação Histórica), no seu turno de limpeza e de acompanhamento de uma das nossas meninas (lindas...).


Autoria das imagens: Paulinha, Fernando, Histoarts e Carlos Marques.


Pedro Casimiro