quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Forte de S. Vicente - Torres Vedras (Festival Novas Invasões)

Caríssimos(as),

O compromisso assumido perante o Município de Torres Vedras, por parte dos diversos grupos que integram a Associação Napoleónica Portuguesa, foi pontualmente cumprido, por via da deslocação de várias dezenas de elementos histórico-militares e civis ao Forte de S. Vicente nos dias 1, 2 e 3 de setembro, a fim de participarem na animação deste interessante espaço, no âmbito do evento Festival Novas Invasões.



Neste espaço e ao longo de todo o final de semana, foram feitas diversas demonstrações e evoluções táticas de infantaria e de artilharia.



Sendo que os nossos artilheiros, por seu lado, fizeram o possível por provocar ecos sonoros nos montes vizinhos ao Forte de S. Vicente, que sem dúvida tiraram o descanso de muito boa gente...



Ficou também instalado neste local um pequeno acampamento histórico-militar, que permitiu ao público visitante ficar com uma ideia da vivência do soldado em campanha, no início do séc. XIX.


Como sempre, foi importante a presença neste evento dos nossos elementos civis!



É devido um reconhecimento muito especial pelo trabalho desenvolvido no decurso deste evento por todos os recriadores históricos presentes e ainda mais em especial pelos(as) nossos(as) camaradas da Associação para a Memória da Batalha do Vimeiro, que não só ofereceram aos participantes deliciosas frutas do Oeste de Portugal, como também instalaram no acampamento histórico diversos jogos populares de época, que fizeram as delicias dos miúdos e dos graúdos, para além de diversos objetos típicos, que contribuíram de uma forma relevante para a eficácia do trabalho desenvolvido.

Bom trabalho amigos(as)!



Autoria das imagens: AMBV e Armando Rui.


Pedro Casimiro



quarta-feira, 6 de setembro de 2017

XIII Recriação Histórica do Cerco de Almeida - O acampamento histórico (6)



Caríssimos(as),

Outra das vertentes relevantes do Cerco de Almeida esteve relacionada com a dinamização e as atividades desenvolvidas no acampamento histórico, que constitui um dos focos de atração deste evento.


Desde logo, foi neste espaço que ficaram instaladas as chamadas oficinas de época, como foi o caso da oficina da artilharia (que foi dinamizada pelo nosso amigo Joaquim Guedes), através das quais o público teve a oportunidade de colocar questões e de pedir/receber  esclarecimentos a propósito das mais diversas particularidades de natureza histórico-militar e não só.



E aqui temos a oficina de cirurgia, dinamizada pelo nosso amigo José Patena, através da qual o público teve a oportunidade de conhecer alguns dos pormenores e das particularidades associadas aos  ferimentos e às doenças que afetavam os soldados do início do séc. XIX, bem como os tratamentos habitualmente dispensados na respetiva cura.

Um dos pormenores interessantes existentes neste espaço foi a chamada "Farmacopeia", que é talvez um equipamento único existente em todo o nosso país e que agrega alguns dos objetos cirurgicos e remédios mais utilizados nesta época historica.



A oficina da costura, que esteve a cargo da nossa amiga Beatriz Fonte, permitiu um contato com as técnicas de confeção e com os tecidos em voga no início do séc. XIX, em especial ao nível do vestuário feminino.


Outro equipamento singular instalado no acampamento histórico foi este telégrafo de época, o qual foi amavelmente cedido pelo Município de Torres Vedras para este efeito, e que, à época, constituía um dos meios privilegiados para transmissão à distância, de mensagens e de informações militares.



O acampamento histórico foi também o local privilegiado para a interação entre os recriadores históricos e o público, permitindo o conhecimento das particularidades dos uniformes e do equipamento recriado e utilizado por cada grupo e o respetivo fundamento e enquadramento histórico, ao nível da chamada Guerra Peninsular.

Temos aqui, por exemplo, os nossos amigos da Asociacion Historico Cultural Voluntarios de Leon 1808 - 1814, que trouxeram ao Cerco de Almeida uma unidade militar de clérigos (de guerrilha), que constituiram uma das particularidades da Guerra Peninsular, designadamente na nossa vizinha Espanha, no decurso da qual um número considerável de religiosos pegou voluntariamente em armas e combateu o exército francês, para defesa da religião e da Pátria.


Outra unidade histórico-militar presente neste evento foi trazida pelos nossos amigos da Asociacion Historico Cultural Voluntarios de Madrid 1808-1814, representativa da guarnição de Ciudad Rodrigo e como tropa de reforço do exército luso-inglês, no decurso do Cerco de Almeida.



Mas nem só de soldados se fez o Cerco de Almeida! Para prova deste facto, temos aqui uma imagens dos(as) nossos(as) amigos(as) da Guerrilha de Montagraço, que é um grupo integrado na Associação Cultural e Recreio 13 de Setembro de 1913.


As cores inglesas também estiveram representadas no Cerco de Almeida, embora maioritariamente provenientes de grupos de recriação histórica espanhóis!


E sem os franceses não se fazem as guerras! 

Também por este motivo é que neste evento estiveram presentes várias dezenas de recriadores históricos provenientes de França, que investem entre 12 a 14 horas em viagens rodoviárias, a fim de partilharem alguns momentos connosco, no Cerco de Almeida.



A cavalaria é um outro componente fundamental de qualquer batalha histórico-cultural!

Por este motivo, temos também de agradecer a presença no Cerco de Almeida dos nossos amigos dos Húsares de Iberia.


E vou fechar este post com uma imagem simbólica do carinho à moda de Almeida!

Como devem imaginar, não é possível colocar neste espaço imagens de todos os grupos e/ou recriadores históricos presentes neste evento. Todavia, essas imagens poderão sem dúvida ser encontradas nos sítios da internet dos hábeis fotógrafos que se dedicaram a acompanhar este evento!


Autoria das imagens: Histoarts, Carlos Marques, Armando Rui, Valischka. Alma & You.


Pedro Casimiro






terça-feira, 5 de setembro de 2017

XIII Recriação Histórica do Cerco de Almeida - Combate noturno (5)



Caríssimos(as),

Uma vez mais ficou confirmado que a noite é propícia para os combates!

Este ano e uma vez mais, os combates histórico-militares realizados na noite de sábado constituíram o ponto alto do Cerco de Almeida, com centenas de recriadores históricos a fazerem evoluções táticas no campo de batalha e com milhares de pessoas na assistência!

 

Desde logo, os soldados franceses aproveitaram o lusco-fusco para posicionarem a suas colunas de ataque, com vista a tentar surpreender os defensores da vila de Almeida.



Em termos operacionais, o combate histórico-militar  realizado este ano no Cerco de Almeida teve por objetivo recriar uma das estratégicas mais utilizadas há cerca de 200 anos, no confronto entre o exército imperial francês e o exército luso-inglês, no decurso da Guerra Peninsular, como sucedeu, designadamente, nas batalhas do Vimeiro e do Bussaco, bem como, e principalmente, na batalha de Waterloo (esta última batalha teve lugar na Bélgica).

Esta estratégia, delineada pelo General Arthur Wellesley (Duque de Wellington), tinha por objetivo aproveitar e condicionar a agressividade natural do exército imperial francês e, por um lado, maximizar uma das melhores caraterísticas do exercito aliado (a boa disciplina das tropas aliadas) e, por outro lado, limitar os efeitos da sua principal deficiência (a inferioridade numérica do seu exército).

Nesta medida e com estes objetivos, por via de regra o general Wellington promovia a colocação do seu exército em locais elevados, fazendo um uso inteligente da geografia do campo de batalha e ao mesmo tempo ocultando e colocando parte do seu dispositivo fora do alcance da artilharia francesa, que era sempre muito numerosa, poderosa e de elevada qualidade.

E assim, o exército luso-inglês aguardava, calmamente e em formação linear, nos cumes dos montes e/ou montanhas, a chegada das tropas francesas. Os franceses, por seu lado, eram naturalmente impetuosos e dedicavam-se a formar as suas habituais colunas de infantaria e assaltavam, com agressividade, as tropas luso-inglesas nesse dispositivo. Esta tática francesa tinha sido normalmente coroada de sucesso, em diversas batalhas ocorridas por toda a Europa, designadamente contra os exércitos prussiano, russo ou austríaco.

Todavia, contra o exército luso-inglês não foi assim. Isto porque, as tropas aliadas aguardavam serenamente a aproximação das colunas de infantaria francesas e só efetuavam disparos quando estas se encontravam a muito curta distância (cerca de 50 metros), maximizando o poder das armas de infantaria da época (mosquetes) e causando estragos devastadores nos adversários franceses.



E aqui temos a extensa linha de soldados de infantaria do exército luso-inglês em Almeida, a aguardar serenamente a chegada dos franceses, por entre a bruma e o fumo do campo de batalha!



Tal como há duzentos anos atrás, as tropas luso-inglesas fizeram um fogo devastador e a curta distância, que dizimou literalmente as fileiras do exército imperial francês!



O campo de batalha ficou literalmente pejado de baixas francesas...




As peças de artilharia presentes no campo de batalha também deram um contributo importante para a violência dos combates!



Os guerrilheiros e os populares também tiveram tempo e oportunidade para, no decurso dos combates, dar a entender aos franceses que não eram bem-vindos na Peninsula Ibérica...


O apoio espiritual é sempre bem-vindo, em qualquer conflito bélico!




E foi nestes termos e por estes motivos que, nesta ocasião, a batalha noturna se saldou numa retumbante vitória do exército luso-inglês!

No entanto e uma vez mais, os verdadeiros vencedores deste combate histórico-militar foram os numerosos recriadores históricos presentes, que se dispuseram a colaborar e a trabalhar em conjunto, apesar da diversidade das respetivas proveniências geográficas, para conseguir alcançar o objetivo pretendido.


O final dos combates é sempre assinalado por uma saudação geral e por um abraço fraternal entre todos os recriadores históricos presentes, que sublinha o facto de que as recriações históricas têm essencialmente por objetivo a evocação da memória dos nossos antepassados e a promoção da História dos nossos respetivos países, num ambiente fraterno e despido de toda e qualquer animosidade.





Como é habitual, ao combate histórico-militar seguiu-se um espetáculo piro-musical, que uma vez mais deliciou e deslumbrou o público presente!


Autoria das imagens: Armando Rui, Carlos Marques, Histoarts e Alma & You.


Pedro Casimiro