quarta-feira, 27 de março de 2019

Classificação das Linhas de Torres Vedras como Monumento Nacional (Decreto nº 10/2019 de 27-03-2019)


Caríssimos(as),

Aqui fica uma nota relativa a mais um contributo relevante hoje ocorrido, ao nível da promoção e da preservação do património histórico-militar nacional, que está associado à publicação do Decreto nº 10/2019, de 27 de março, que veio classificar como "monumento nacional", o conjunto das 1ª e 2ª Linhas de Defesa a Norte de Lisboa durante a Guerra Peninsular, também conhecidas como Linhas de Torres Vedras.

Este facto constituirá, sem margem para dúvidas, um motivo adicional para as mais diversas entidades públicas e privadas desenvolverem estratégias de preservação e de promoção deste importante património, não só em benefício das gerações futuras, com também ao nível da respetiva valorização turística, para benefício das respetivas localidades.

No início do Artigo Único desse diploma é possível ler o seguinte:

É classificado como conjunto de interesse nacional, sendo -lhe atribuído a designação de «Monumento Nacional», o conjunto das 1.ª e 2.ª linhas de defesa a norte de Lisboa durante a Guerra Peninsular, também conhecidas como «Linhas de Torres Vedras», localizadas nos concelhos de Arruda dos Vinhos, Loures, Mafra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira, distrito de Lisboa, conforme plantas disponíveis para consulta na Direção -Geral do Património Cultural e no respetivo sítio na Internet: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio -imovel/pesquisa -do--patrimonio/classificado -ou -em -vias -de -classificacao/ge-ral/view/17662366.


 Pedro Casimiro


terça-feira, 19 de março de 2019

Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL): dia 16 de março de 2019


Caríssimos(as),

O passado final de semana ficou marcado por mais uma importante ação de divulgação turística e cultural de Almeida e de Ciudad Rodrigo, na já famosa Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), que se realizou entre os dias 13 e 17 do corrente mês de março.

Como vem sendo habitual, estas duas localidades raianas (portuguesa e espanhola) dinamizaram em conjunto um stand de promoção e de divulgação no decurso deste evento, que conta habitualmente com a presença de milhares de visitantes, nacionais e estrangeiros, tendo a edição deste ano sido uma das maiores realizadas.


Como não podia deixar de ser, o GRHMA também marcou presença neste evento!

Fazendo justiça à parceira que vem sendo desenvolvida há mais de uma década, entre a nossa associação cultural e o Município de Almeida, um considerável destacamento de nossos elementos histórico-militares e civis também marcou presença neste evento, no sentido não só da promoção e da divulgação do património histórico do concelho de Almeida, como também do projeto de promoção e divulgação histórico-militar e cultural em curso, cujo ponto anual mais alto se traduz habitualmente no nosso fantástico CERCO DE ALMEIDA, agendado este ano para os dias 23, 24 e 25 de agosto.


O périplo dos nossos elementos pelo recinto da BTL despertou a curiosidade e o interesse dos muitos visitantes, tendo ainda sido gratificante constatar que um número considerável dos mesmos já fazia uma associação muito clara e concreta entre os nossos fardamentos e atividade e o concelho de Almeida, como sendo local de eleição de eleição em Portugal, para assistir a uma recriação histórica simultaneamente apelativa e rigorosa.

 

Outro fator de distinção do GRHMA e do Município de Almeida nestas matérias traduz-se no esforço que fazemos, no sentido de fornecer ao público assistente o necessário enquadramento histórico e cultural, para as várias vertentes da atividade por nós desenvolvida, com intuitos eminentemente didáticos e pedagógicos.


E aqui temos o  nosso camarada António Coelho a explicar com todos os pormenores e mediante a utilização de réplicas fidedignas, os mais diversos componentes do equipamento usados pelo soldado português do início do século XIX.

 

A vertente de divulgação de conhecimentos constitui um dos aspetos mais apelativos desta atividade, pois temos a perceção de que estamos a dar um contributo real e tangível no sentido de despertar o interesse pelo conhecimento e pelo estudo da História de Portugal, por um número considerável de cidadãos, servindo de complemento e de reforço ao trabalho desenvolvido nestas matérias pelo Ensino Público.

 

Foi igualmente gratificante a presença neste evento dos nossos camaradas da Associação para a Memória da Batalha do Vimeiro, que fizeram igualmente uma ação de divulgação do respetivo evento anual na BTL (A Batalha do Vimeiro, agendada para os dias 19 a 21 de julho de 2019) e que fizeram uma chegada oportuna ao nosso stand, mesmo a tempo de partilhar um saboroso lanche...

O "faro" dos soldados nunca falha!


Autoria das imagens: Armando Rui


Pedro Casimiro




segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Cerimónia evocativa do Centenário da Grande Guerra, Almeida dia 23 de fevereiro de 2019 (reportagem fotográfica)

Caríssimos(as),

No passado sábado (23-2-2019) e conforme estava previsto, realizou-se em Almeida mais um interessante evento cultural, associado à evocação do Centenário da Primeira Guerra Mundial, (1914-1918), que contou com a presença de diversas autoridades civis e militares, bem como com a presença de um público atento, no qual se destacavam vários familiares de soldados naturais do concelho de Almeida, que perderam a vida neste conflito bélico.

 

Como já vem sendo hábito, o Museu Histórico-militar de Almeida apresentou uma interessantíssima exposição temática alusiva a este período histórico, refletindo a competência e a qualidade organizativa dos respetivos responsáveis.

Esta exposição ainda irá estar disponível ao público até ao dia 30 de março de 2019, sendo por isso de visita obrigatória!

 
 

Como não podia deixar de ser, o GRHMA marcou presença neste evento, no sentido de prestar as devidas honras histórico-militares em memória dos soldados que deram a sua vida em prol da nossa Pátria na singela, mas sentida, cerimónia que se realizou junto ao Monumento evocativo dos Combatentes da Grande Guerra.

Este é mais um sinal claro do compromisso assumido há décadas pelo Município de Almeida, no sentido da preservação, promoção e divulgação do património cultural de Almeida, designadamente em benefício das gerações mais jovens, principalmente com intuitos didáticos e pedagógicos, complementando de uma forma singular o papel que a esse nível vem sendo desempenhado pelo Ensino Público.


Nessa perspetiva, também participou nesta cerimónia uma delegação do Corpo Nacional de Escutas, onde foi dado um lugar de destaque precisamente aos mais jovens.


A presença neste evento do nosso amigo Sr. Major-General Aníbal Flambó, na qualidade de Diretor da Direção de História e Cultura Militar e em representação do Exército Português, traduziu-se em mais um sinal claro do compromisso existente ao nível da promoção e da divulgação do nosso património histórico-militar, mediante a adesão e participação em múltiplas iniciativas culturais semelhantes a esta, bem como da especial sensibilidade e do interesse do Sr. Major-General Aníbal Flambó nestas matérias.

 

O nosso destacamento de artilharia, do Regimento de Artilharia nº 4, não perdeu esta oportunidade para fazer mais algumas demonstrações das suas qualidades e capacidades operacionais!


Este evento marcou também a introdução de mais uma novidades no GRHMA, marcando uma vez mais o nosso papel pioneiro, no panorama da recriação histórica nacional alusiva ao período das Invasões Francesas: registou-se a estreia do nosso camarada Joni Pires (à esquerda na imagem) ao nível da realização de toques militares com instrumento de sopro!

Bem haja pela presença e colaboração neste evento deste nosso camarada, que para o efeito se deslocou com a sua simpática família deste Santa Maria da Feira até Almeida, sendo este mais um reflexo no sentido de que no GRHMA são valorizadas e apoiadas as pessoas que efetivamente desejam trabalhar de uma forma séria e empenhada, no sentido cumprimento da nossa missão de promoção cultural do concelho de Almeida e de preservação e divulgação da História de Portugal.

 

Este dia coincidiu com a realização da Missa de Sétimo Dia, pelo recente falecimento da nossa querida companheira e amiga Sandra Alverca, que se traduziu em mais uma oportunidade para todos nós demonstrarmos o nosso carinho e o nosso apoio à familia da Sandra, mediante a presença nesta celebração de todos os nossos elementos histórico-militares, com fardamento e equipamento completo.


Autoria das imagens: Armando Rui e Blog.



Pedro Casimiro



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Evento: "O chapéu de Napoleão": dia 23-2-2019, no Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro (Lourinhã)

Caríssimos(as),

Aqui fica uma nota relativa a mais um interessante evento histórico-cultural, que desta vez se vai realizar no encantador concelho da Lourinhã, mais precisamente na histórica localidade do Vimeiro.

Trata-se de um evento com uma acentuada componente ludo-didática, eminentemente dirigido ao público mais jovem, a quem vai ser dada uma oportunidade para descobrir e aprender um pouco mais sobre a História de Portugal, numa vertente cultural que, por via de regra, não merece o interesse alargado dos manuais escolares.

Quando assim acontece, cabe à sociedade civil suprir eventuais omissões, sendo este mais um interessante contributo nesse sentido.

Será, portanto, mais um evento a não perder, com o selo de qualidade do Município da Lourinhã e do Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro.


Pedro Casimiro





terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Evento: Comemoração do Centenário da Grande Guerra (Museu Histórico-militar de Almeida): dia 23 de fevereiro de 2019


Caríssimos(as),

Aqui fica uma nota relativa a mais um relevante evento cultural que se vai realizar no Museu Histórico-militar de Almeida, evocativo da Primeira Guerra Mundial, também chamada de Grande Guerra, que no início do século XX assolou o continente Europeu e na qual Portugal foi um dos países intervenientes.

Para além de estar em causa um evento que vai realizar num excelente espaço cultural, associado à promoção de um relevante património local e nacional, o mesmo irá contar com a presença de conceituados oradores, entre os quais se inclui o nosso camarada, o Prof. Dr. Sérgio Veludo Coelho.

Como não podia deixar de ser, este evento irá também contar com a presença de um destacamento histórico-militar do GRHMA, demonstrando o continuado compromisso da nossa associação em colaborar com iniciativas associadas à promoção do património de Almeida, facto que também  reflete a dimensão única desta localidade, enquanto foco de convergência de múltiplas sinergias em termos histórico-culturais.

Trata-se, por isso, de um evento a não perder, com o selo de qualidade do Município de Almeida.


Pedro Casimiro




quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Falecimento de Sandra Alverca (14 de fevereiro de 2019)


Caríssimos(as),

Lamento informar que hoje ocorreu o falecimento da nossa querida companheira e amiga Sandra Alverca, por motivo de doença.

Aqui ficam sentidos pêsames, em meu nome pessoal e em nome do GRHMA, a todos os seus familiares, em especial ao seu marido e nosso camarada Mário Alverca, bem como à sua filha Diana e ao seu filho Alexandre, que em família e com a ajuda dos muitos amigos que têm, irão sem dúvida encontrar a força interior necessária para encarar e superar este momento difícil.

A partir do momento em que aderiu ao Grupo de Reconstituição Histórica do Município de Almeida, a Sandra foi um elemento participativo, estando disponível para colaborar e ajudar nas mais diversas atividades realizadas, contribuindo desse modo, de uma forma ativa e generosa, para o projeto histórico-cultural corporizado pela nossa associação, em prol de Almeida.

Para além disso e principalmente, a nossa amiga Sandra sempre nos cativou a todos, através do seu sorriso e da sua graciosidade, que serão para sempre por nós recordados.


A realização do funeral está prevista para o dia de amanhã, pelas 17.00 horas, na Igreja Matriz de Almeida.


Pedro Casimiro




Escola do Soldado (Almeida e Freineda): dias 23 e 24 de março de 2019


Caríssimos(as),

Chegou a época de abertura das hostilidades!

Bem, talvez "hostilidades" não seja o termo totalmente adequado para caraterizar o início do período das recriações históricas em Portugal, porquanto apesar de circularem com armas, cavalos, peças de artilharia, e de manusearem explosivos (pólvora), os verdadeiros recriadores históricos têm por único e exclusivo objetivo contribuir para a divulgação da História de Portugal, colaborar na promoção e no desenvolvimento do património histórico-cultural das respetivas localidades de origem, bem como  promover o intercâmbio e a partilha de experiências culturais com recriadores históricos de todo o mundo.

E, tal como vem sucedendo há mais de uma década, é em Almeida que se situa o ponto de partida!

A nossa Escola do Soldado é já uma referência nacional, ao nível dos treinos e da preparação dos recriadores históricos portugueses do período da chamada Guerra Peninsular (início do séc. XIX).

Na verdade, não só é nesta localidade que, com a habitual e permanente colaboração do Município de Almeida, se concentram alguns dos mais experientes recriadores históricos nacionais, como também  é nesta localidade que existe a generosidade e a disponibilidade para, de uma forma desinteressada, partilhar conhecimentos técnicos e históricos com todos aqueles que, de uma forma séria e dedicada, pretendem participar neste esforço coletivo de promoção e de divulgação cultural desta vertente do nosso património histórico nacional.

                                         (quadro alusivo à Batalha de Grijó)

 
(Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova)

Um dos reflexos desta realidade pode ser encontrado no facto de que, na edição deste ano, estar prevista a presença em Almeida de delegações provenientes das localidades de Grijó (Vila Nova de Gaia) e de Condeixa-a-Nova, sob a égide das respetivas Junta de Freguesia e Câmara Municipal, associadas a projetos de desenvolvimento de iniciativas histórico-culturais relacionadas com este período histórico, em termos semelhantes ao que vem sendo desenvolvido, designadamente, pelo GRHMA.

Ambas as referidas localidades possuem um património histórico-cultural relevante, associado a este período da História de Portugal, e este tipo de projetos possui um potencial muito interessante, em termos de contributo para a promoção turística regional.

E sem dúvida que, naquilo que depender da disponibilidade do Município de Almeida e da generosidade dos elementos do GRHMA, será dado todo o apoio possível a este projetos, desde que exista o entusiasmo e a vontade necessária para avançar com os mesmos!


Pedro Casimiro




terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Filmagens para o Turismo Centro Portugal (2-2-2019)

Caríssimos(as),

Aqui temos, uma vez mais, o GRHMA na linha da frente, no que diz respeito à promoção e divulgação do concelho de Almeida!


No passado sábado um destacamento de infantaria e de artilharia do GRHMA uniu esforços e apresentou-se a uma equipa de filmagens enviada pela Turismo Centro Portugal, a fim de colaborar na realização de um vídeo promocional que, neste caso concreto, tinha por objetivo a promoção turística da fantástica vila de Almeida e do seu património histórico-cultural único.

 

As filmagens decorreram na ponte, junto às Portas de S. Francisco, no decurso das quais a simpática atriz participante teve de enfrentar, pela primeira vez, os disparos de uma peça de artilharia e de uma esquadra de infantaria

Claro está que, quando se está perante soldados veteranos, como é o caso dos soldados histórico-militares do GRHMA, o risco é mínimo, mas nem assim a equipa de filmagens se livrou de alguns "sobressaltos".


Uma vez terminadas as filmagens, ficamos todos perante um grave dilema: SOBROU PÓLVORA!

Nesta altura todos os nossos soldados trocaram, preocupados, olhares entre si dizendo: "que fazemos agora!", "que fazemos agora!", bem sabendo que não era possível guardar pólvora, exceto em paiol, e que ela corria o sério risco de se estragar.

E foi neste momento de dificuldade e de aflição que, uma vez mais, o competente e generoso Comandante do GRHMA apresentou uma solução com foros salomónicos, que foi a seguinte: "vamos fazer alguns treinos e disparar as armas!".


E foi assim que, meu dito, meu feito, os valentes soldados do GRHMA se dedicaram a fazer um exercício de infantaria ligeira, que consistiu em formar uma fila indiana junto à esquina das Portas de S. Francisco e fazer, alternadamente, fogo de contínuo de proteção.

Depois de disparar, o soldado deslocava-se para o final da fila e procedia ao recarregamento da sua arma, até chegar novamente a sua vez de fazer fogo junto da esquina.

 

E foi deste modo que foi reposta a calma e a serenidade nas nossas tropas, tendo sido conseguido o objetivo de esgotar completamente o stock de pólvora!

Vejam lá os sacrifícios que fazemos em prol da segurança...


E, para terminar, falta apenas perguntar: onde está o Wally?

Bem, não se trata bem de uma pergunta, mas antes de um enigma, que é necessário deslindar, e que é o seguinte: qual é o nome do soldado que no decurso de todas as filmagens aproveitou a mínima pausa para se encostar às paredes, portas, janelas, etc?


Resta descobrir quem vai conseguir deslindar tão complicado enigma...



Autoria das imagens: Armando Rui e Carlos Marques.



Pedro Casimiro




sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Mostra temporária no Museu Histórico-Militar de Almeida (1-1-2019 a 30-3-2019): "Práticas de Assistência aos Feridos nas Campanhas Peninsulares"

Caríssimos(as),

Aqui fica uma nota relativa a um evento a não perder, com o selo de qualidade do Museu Histórico-militar de Almeida!

Trata-se de exposição temporária evocativa das práticas médicas e cirúrgicas durante a Guerra Peninsular, que evidencia a precariedade (pelos padrões da modernidade) das condições de higiene e de trabalho dos profissionais de saúde do início do séc. XIX.

Nesta exposição estará patente um conjunto de elementos que irão contribuir para avaliar as práticas cirúrgica utilizadas, de natureza curativa e preventiva, relativamente à maioria das maleitas que afligiam os soldados, bem como alguns tratamentos possíveis e aplicados aos ferimentos infligidos em combate durante as Campanhas Peninsulares, com destaque especial para os instrumentos de amputações, trepanações e de exploração de feridas

Um dos grandes desafios para os serviços médicos nas guerras peninsulares foram as infeções  decorrentes de tratamentos tardios, motivados por inadequação da evacuação para o hospital de campo. Houve casos em que os feridos ficavam vários dias abandonados no campos de batalha, resultando na morte da maioria deles.
 
A exposição é constituída por uma mostra de materiais (réplicas) que nos remete para a prática cirúrgica e de enfermagem dos quais se destaca: a maca de lona e um estojo de transporte em madeira contendo vários instrumentos de cirurgia, componentes naturais (animais e vegetais) e químicos para a prática medicamentosa e farmacêutica e demais tratamentos. Esta mostra é acompanhada por uma panóplia de fotografias e textos que procuram contextualizar os objetos existentes. Esta exposição tem como principal missão enriquecer a Sala das Guerras Peninsulares do Museu Histórico-militar de Almeida, sendo esta uma realidade não explorada na exposição permanente.

A esmagadora maioria dos objetos em exposição pertence à coleção particular do nosso associado Joaquim Guedes, que amavelmente os cedeu para realização deste evento e que constituem um espólio verdadeiramente único, a nível nacional e internacional.

 Aqui fica mais um motivo para uma viagem até à magnífica fortaleza de Almeida!


Pedro Casimiro


sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

O Oficial Português do início do séc. XIX: descodificação do fardamento - 1


Caríssimos(as),

Uma das peças interessantes do fardamento do oficial do Exército Português, do início do séc. XIX, era a chamada Gola de Serviço, embora este não fosse um acessório exclusivamente usado por oficiais de nosso Exército.

(autoria da imagem: Histoarts)

Na verdade, tratava-se de uma peça de equipamento cuja origem estava usualmente associada ao equipamento de proteção (armadura) usado pelos cavaleiros medievais (sécs. XIV-XV), especialmente para proteger a zona da garganta e do pescoço, que foi evoluindo até ser integrado nos uniformes militares de diversos países, ao longo da História, no sentido de constituir um dos elementos simbólicos de identificação de um oficial.

(réplica executada e imagem cedida por Joaquim Guedes)

Em especial, no início do séc. XIX era usual a utilização de Golas de Serviço com o formato de um crescente, que podia ser mais aberto ou mais fechado, de acordo com os regulamentos militares em vigor.

Na imagem supra podemos ver uma réplica excelente (ou não fosse usada por mim...) de uma Gola de Serviço desta época histórica, do chamado modelo português, com um formato de crescente relativamente aberto, com as Armas Reais Portuguesas incrustadas, feitas em prata.
 
(réplica executada e imagem cedida por Joaquim Guedes)

(gola de serviço de formato/modelo britânico)

Nas duas imagens supra podemos ver dois formatos alternativos para a Gola de Serviço, de acordo com o formato/modelo usualmente utilizado pelo Exército Britânico, desta época histórica. A segunda imagem é alusiva a uma réplica de uma Gola de Serviço do séc. XVIII, usado por oficiais do Exército Britânico.

Na primeira imagem verifica-se que foi feita uma adaptação deste formato/modelo para uso por oficiais do Exército Português, mediante a aposição das Armas Reais Portuguesas, igualmente feitas em prata.

Pedro Casimiro



segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

O Soldado de Artilharia Português do início do sec. XIX: descodificação do fardamento.


Caríssimos(as),

Por último, mas não em último, impõe-se a divulgação de informações técnicas relacionadas com o fardamento do soldado de artilharia que prestou serviço no Exército Português, no decurso da Guerra Peninsular.

Apesar de ser constituído apenas por 4 regimentos, o corpo de artilharia português prestou um serviço precioso e relevante neste conflito bélico, o qual foi sucessivamente reconhecido, designadamente pelo comando superior do Exército Luso-britânico.


(destacamento histórico-militar do Regimento de Artilharia nº 4, do GRHMA)

Tal como sucedia com a Infantaria e com a Cavalaria, os regimentos de artilharia estavam distribuídos por 3 divisões territoriais, pertencendo o Regimento de Artilharia nº 1 à Divisão Centro, os Regimentos nº 2 e nº 3 à Divisão Sul e o famoso Regimento de Artilharia nº 4 à Divisão Norte.

Para quem ainda não percebeu, uma das unidades recriadas pelo GRHMA é, precisamente, o Regimento de Artilharia nº 4!

À semelhança do que sucedia com as demais unidades integradas no Exército Português, também o fardamento dos regimentos de artilharia era confecionado em tecido de lã azul-escura (denominado azul prussiano ou azul ferrete).

O forro das casacas era de cor vermelha, sendo também dessa cor os vivos das mesmas. As casacas abotoavam à frente, com uma fileira de oito botões amarelos e que tinham, em baixo relevo, o número do regimento.

As barretinas usadas inicialmente eram do modelo português de 1806, tendo o número do regimento aberto, numa chapa de latão, por cima da pala e acima desta uma chapa oval com as Armas Reais, em alto-relevo.

O penacho (também designado pluma) da barretina era usado lateralmente, tendo na base o laço nacional, entrelaçado de cor azul e vermelha e os cordões, com borlas, eram feitos em lã, também, com as mesmas cores azul e vermelha.

No Inverno, as calças (também designadas pantalonas) eram de cor azul, feitas em tecido igual ao da casaca (lã). No Verão podiam ser usadas calças em linho branco cor de palha (cor marfim).

A partir dos anos de 1809 e 1810, com a chegada dos aliados ingleses e tendo e conta as contingências existentes ao nível da logística e abastecimentos, as barretinas foram gradualmente sendo substituídas pelo modelo inglês "stovepipe", mantendo a mesma tipologia a nível dos metais, mas deixando de existir, na barretina, os cordões e as borlas. Por seu lado, o penacho passou a ser usado na parte superior frontal da barretina, assim como o laço nacional.


Faria e Silva e Pedro Casimiro




quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

O Soldado de Cavalaria Português do início do sec. XIX: descodificação do fardamento.


Caríssimos(as),

Tendo o nosso amigo e Presidente da ANP, Eng. Faria e Silva, escutado o apelo de colaboração que foi enviado, vamos ter a possibilidade de colocar aqui mais um post que contém algumas informações interessantes de natureza histórico-militar, desta vez relacionadas com a arma de cavalaria, para complementar as anteriores publicações relativas à Infantaria e aos Caçadores.

Tal como sucedeu com a Infantaria, na sequência da reorganização do Exército Português realizada no ano de 1806 (Decreto de 19 de Maio de 1806), os regimentos de cavalaria estavam distribuídos por Divisões Militares (Norte, Centro e Sul), sendo perfazendo um total de 12 regimentos.


Na imagem supra podemos ver o nosso camarada Jóni Pires, com o seu fardamento do Regimento de Cavalaria nº 11, unidade esta que esteve também aquartelada na fortaleza de Almeida, no decurso da Guerra Peninsular, sendo por esse motivo este regimento também recriado pelo Grupo de Reconstituição Histórica do Município de Almeida.

Este foi um dos regimentos que sofreu as vicissitudes decorrentes da Primeira Invasão Francesa (1807), tendo sido licenciado em dezembro de 1807 e apenas restabelecido como unidade operacional no mês de outubro de 1808.

As fardas dos Regimentos de Cavalaria eram igualmente confecionadas com tecido de lã azul-escuro (azul prussiano ou azul ferrete). As casacas eram debruadas da mesma cor dos forros, consoante a Divisão a que pertenciam os regimentos, nos termos explanados no quadro supra. No caso do nosso Regimento de Cavalaria nº 12, as golas e os punhos são de cor azul celeste e o debrum é de cor vermelha, que é também a cor do forro da casaca.

As casacas abotoavam à frente, com uma fileira de 8 botões amarelos, os quais tinham, em baixo relevo, o número do regimento.

Os cascos (capacetes) dos cavaleiros (ilustrados na imagem supra) eram inicialmente do modelo 1806, tendo o número do regimento aberto numa chapa oval, feita em latão, colocada logo acima da pala.

O penacho ou pluma do casco era de cor vermelha, sendo usado lateralmente, tendo na base o laço nacional de cor azul ferrete e de cor vermelha. Os cordões possuíam borlas e eram feitos de lã, com duas cores entrelaçadas, sendo a cor base o azul ferrete e a cor variável a correspondente à Divisão territorial a que o regimento pertencia [ou seja, vermelho (Divisão sul), branco (Divisão centro), ou amarelo (Divisão norte)].

Os cavaleiros usavam botifarras de montar e calções, que apertavam logo abaixo do joelho e que, no inverno, eram de tecido igual ao da casaca (lã, de cor azul ferrete) e no verão podiam usar calções em linho branco de palha (cor marfim).

A partir dos anos de 1810 e 1810, com a chegada dos aliados ingleses e com a integração das tropas portuguesas no Exército Luso-Britânico, razões logísticas e de abastecimento ditaram que vários regimentos de cavalaria portugueses passassem a utilizar uma barretina do tipo "bell top shako", semelhante à usada por alguma cavalaria inglesa, mantendo no entanto a mesma tipologia ao nível dos metais. Neste caso, o penacho e o laço nacional passavam a ser colocados na parte superior frontal da barretina.


Faria e Silva e Pedro Casimiro