terça-feira, 2 de julho de 2013

Bicentenário da Batalha de Vitória - dias 22 e 23 de junho de 2013


Caríssimos,

Uma vez mais, os nossos bravos soldados participaram numa expedição histórico-militar por terras estrangeiras, trazendo glória às cores nacionais!

Desta vez as nossas tropas participaram na comemoração do bicentenário da grande batalha de Vitória (ocorrida no dia 21 de junho de 1813), que determinou a expulsão definitiva do exército imperial francês da Península Ibérica, configurada como uma vitória decisiva do exército aliado, composto por tropas portuguesas, inglesas e espanholas.


Como sempre, as nossas tropas desprezaram os modernos meios de transporte disponíveis e preferiram fazer a viagem para Espanha a pé, através de montes e vales...


Com algumas aldeias à mistura...


E, claro está, as tropas tiveram de aproveitar alguns momentos para fazer uma pausa - de preferência perto de uma boa taberna...


Aqui podemos ver o local do acampamento histórico, com um fantástico tapete de verdura.

Quiçá este ano vamos conseguir alugar um tapete de verdura igual, para o nosso evento de Almeida... 


As tropas no acampamento histórico, em traje de "passeio".


Aqui podemos ver o nosso amigo Armindo a pôr a mão de fora da tenda, para ver se estava a chover. 


O desfile das tropas e moldura humana assistente


Aqui temos o destacamento português, liderado pelo nosso Alferes Patena


O assalto à ponte!


A artilharia em ação.



Aqui podemos ver os nossos artilheiros a colocar as suas peças de artilharia num local estratégico e a perguntar: 

Quantos são? Quantos são? 

Até os comêmos, carago!


E claro, depois de tanto "comerem", os nossos artilheiros ficaram todos de barriga cheia...


Aqui podemos ver o nosso soldado Zé Manel, a aproveitar o colo de uma estátua local...


O nosso amigo Belchior é sempre o único caçador que se apresenta ao serviço - esta malta do Batalhão de Caçadores é um bando de calaceiros...


Quem conseguir adivinhar o nome do soldado que está de costas na imagem terá direito a uma "mini".

Não deve ser difícil, basta analisar o acerto do corte de cabelo...


Pedro Casimiro

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Comemoração dos 500 anos do Foral de Baião


Caríssimos,

Foi com muito prazer que o Grupo de Reconstituição Histórica do Município de Almeida (GRHMA) se associou à excelente iniciativa levada a cabo pelo Município de Baião e entidades associadas, relativa à comemoração dos quinhentos anos do Foral de Baião, concedido pelo Rei D. Manuel I, em 1513.

Tratou-se de um evento a que estiveram associadas centenas de participantes voluntários e que foi presenciado por milhares de pessoas, que aproveitaram a oportunidade para reviver a história desta terra acolhedora e cheias de tradições, que foram ilustradas em dezenas de quadros representativos.


O contributo do GRHMA esteve associado à memória das Invasões Francesas, pois também Baião sofreu as agruras da guerra e viu as suas terras e património devastados pelos combates. Por outro lado, também nesta altura as gentes desta terra pegaram em armas para defender a sua pátria, não só ingressando nas fileiras do exército da época, como também através da criação de grupos de  guerrilha, que assolavam as linhas de comunicação do exército invasor.


Aqui temos a nossa amiga Eugénia Guedes, que nunca deixa de acompanhar as tropas do GRHMA nas suas deslocações, prestando um apoio indispensável aos nossos soldados feridos em combate.


Como, aliás, sucedeu em Baião, onde tivemos, pelos menos, dois soldados de artilharia atingidos pelas balas inimigas e a quem foi preciso prestar cuidados médicos de urgência.

Mas não se preocupem, pois eles recuperaram depressa...o ar da serra faz maravilhas...


Aqui podemos ver a nossa esquadra de infantaria em ação.


Como não podia de ser, nem de noite houve descanso para os nossos soldados, que estiveram sempre alerta, para prevenirem um eventual ataque de surpresa...embora não sabendo bem por quem...


Está disponível na internet um VIDEO, onde este evento pode ser visualizado.


Aqui deixamos também um especial agradecimento as todos os habitantes de Baião e arredores, em especial pelo acolhimento e simpatia que dispensaram às nossas tropas, garantindo que teremos sempre o maior prazer em ficar associados a iniciativas de cariz cultural semelhantes à que foi realizada.

Pedro Casimiro

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Equipamento do soldado português do séc. XIX (Invasões Francesas) - Manta (de Minde)


(Exemplar de uma manta de Minde)

Depois de pensar nos capotes, nas sobrecasacas e nas noites frias do próximo acampamento histórico em que o GRHMA vai participar Espanha, para próximas comemorações do bicentenário da Batalha de Vitória (ocorrida em 21 de junho de 1813), onde o Regimento n.º 23 recebeu a mais alta distinção militar da altura, por bravura, aqui fica uma referência a mais uma peça de equipamento indispensável para o soldado: a manta.
 Os regimentos portugueses participantes nesta batalha foram agraciados com uma bandeira pelo Príncipe Regente Dom João, com as Armas Reais circundadas com a seguinte frase:
“Julgareis qual he mais excelente
Se ser do Mundo Rei, ou de tal gente”

Esta distinção seria conservada para memória, extinguindo-se à morte do último homem da batalha de Vitória, tenha ele sido oficial, oficial inferior ou soldado.

Esquecendo este à parte, vamos falar em mais um dos acessórios essenciais que faziam parte do equipamento do soldado da época:


AS MANTAS DE PANO DE MINDE
  

Após consulta do Plano de Uniformes de 1806 e de algumas listagens do Arsenal, verifica-se a existência  de compra e distribuição, pelo exército aos soldados, de mantas especificamente de uma aldeia freguesia de Minde, concelho de Alcanena, localizada no distrito de Santarém.

Não havendo nestas listagens quaisquer referências ou normativas quanto às cores utilizadas, partiu-se para uma consulta ao museu local, denominado "Museu Aguarela Roque Gameiro", na tentativa de encontrar referências históricas desta atividade, que deveria ser industrial, tal seria o volume das encomendas para o exército português.

Desta pesquisa resultou apenas uma pequena informação, dado que no museu não existe qualquer documento, memória ou oralidade deste fornecimento. O que nos foi dito é que anteriormente ao século XX apenas eram fabricadas as ditas "mantas pretas" que, paradoxalmente, podiam ter duas cores: o branco e o castanho, que eram as cores naturais das lãs. Podiam ter barras brancas ou castanhas, alternadas com a cor do fundo da manta.
   






(referência constante do Plano de Uniformes de 1806)


Aqui fica a sugestão de aquisição deste equipamento, por parte dos nossos soldados, com vista a promover (uma vez mais) o rigor histórico nesta nossa atividade.


Eugénia Guedes

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Heráldica do GRHMA




DESCRIÇÃO DO SÍMBOLO ADOPTADO PARA O GRHMA

O simbolo adoptado pelo nosso Grupo de Reconstituição Histórica do Município de Almeida (GRHMA) corresponde ao escudo frontal do Edifício do Corpo da Guarda Principal, cuja construção se iniciou em 1791, e que constituí um belo exemplar de edificio militar, podendo ser considerado o edifício mais emblemático da originária Praça de Guerra de Almeida, que hoje alberga a Câmara Municipal da Vila.
O heráldico Álvaro Holstein faz a seguinte descrição do brasão deste edifício:
“De origem militar com armas plenas e de domínio real e motivos ligados à artilharia. O coronel ou coroa é real (que é pertença da coroa). Estas armas não têm paquife nem virol (raramente usadas em armas de domínio) e não usa suportes nem tenentes”.
Vejamos a descrição dos motivos que compõem o escudo:

- Coroa real de meados do século XVII princípios do século XIX (no reinado de D. João VI (1816-1826) foi colocada por detrás do escudo uma esfera armilar de ouro em campo azul, simbolizando o reino do Brasil, e sobre ela figurava uma coroa real fechada. Após a morte do Rei a esfera armilar foi retirada das armas, remetendo-se o símbolo real à expressão anterior, em que algumas das versões usaram um escudo elíptico, com o eixo maior na vertical);
- Quatro bandeiras de regimento;
- Dois canhões de calibres diferentes;
- Um morteiro
- Palamentas: lanadas, soquete e colher
- Terçado;
- Baioneta;
- Alabarda;
- Mosquete
- Patrona;
- Munições de diferentes calibres;
- Barril de pólvora;
- Caixa de Guerra (Tambor).

Terminologia:

Coroa ou Coronel - indica a categoria da entidade representada pelo brasão. É chamada de coroa, se corresponde a uma entidade com soberania e coronel nos restantes casos. Conforme o país ou a representação artística do brasão, a coroa ou coronel pode figurar sobre o elmo, sobre o pavilhão ou manto ou diretamente sobre o escudo.
Domínio representa uma entidade territorial não soberana.
Paquife - figuras de mantos, capa ou apenas correias, folhagens e plumagens, desenhadas acima e ao redor do elmo e que se espalha pelo escudo.
Virol - peça de tecido, colocada sobre o elmo e coroa. É feita de duas cordas entrelaçadas.
Suportes e tenentes - são figuras que suportam o escudo. São chamados tenentes se representam seres humanos e suportes nos restantes casos. Normalmente são representados aos pares, um de cada lado do escudo. Ocasionalmente pode ser representado apenas um, atrás do escudo.


Eugénia Guedes e Paulo Amorim



Rondas & Sentinelas - dia 27 de abril de 2013


 Caríssimos,

 Conforme podem constatar, por estes dias não tem havido descanso para os nossos soldados!

Pois é, no passado dia 27 de abril as tropas voltaram a estar de serviço, desta vez em atividades de rondas e sentinelas nas portas da fortaleza de Almeida (portas exteriores de S. Francisco). Isto ficou a dever-se ao facto de os nossos Serviços de Informação Militar terem recebido um aviso de que havia o risco da entrada de um espião francês, por esta altura, que tinha por objetivo angariar informações acerca do armamento e do dispositivo de defesa do GRHMA, para transmitir ao inimigo.

Todavia, os nossos soldados, com a sua habitual diligência e bravura, conseguiram impedir esse objetivo, embora pelos vistos não tenham conseguido impedir a passagem de todas as turistas simpáticas que por lá apareceram...


Aqui podemos ver o nosso sargento Coelho, do Regimento de Infantaria nº 23, a distribuir as esquadras de infantaria pelas portas da fortaleza.


E como o nosso sargento já sabe como as coisas são, aqui o temos a advertir com severidade os soldados acerca dos seus deveres enquanto em serviço de sentinela, designadamente para evitar que estes se distraíssem a olhar para as turistas...



Postura e atenção: são os requisitos essenciais para tropas em serviço de guarda e sentinela.


Esta em causa mais uma atividade de divulgação cultural que foi proposta ao GRHMA pelo Município de Almeida, e à qual os nossos soldados aderiram com entusiasmo.

Pretende-se que esta iniciativa tenha uma natureza periódica no período de primavera/verão, com realização no último sábado de cada mês, demonstrando por esta via o dinamismo e a vontade que existe na formosa Vila de Almeida, no sentido da preservação e dinamização do seu património histórico-militar.

Pedro Casimiro



terça-feira, 30 de abril de 2013

Comemoração do 25 de abril de 1974 em Almeida


Caríssimos,

Aqui fica uma reportagem relativa às cerimónias evocativas do 25 de abril de 1974, recentemente realizadas em Almeida, que contaram, uma vez mais, com a participação ativa dos elementos do GRHMA.

Tratou-se de uma cerimónia singela e sentida, que reuniu todos aqueles que, independentemente do  respetivo quadrante politico-partidário, desejaram evocar a chamada Revolução dos Cravos, caraterizada, além do mais, pelo facto de a cor vermelha que a marcou ser proveniente apenas das flores (cravos vermelhos) oferecidos pelos populares e introduzidos pelos soldados nos canos nas suas armas.


E aqui temos alguns exemplos de verdadeiros soldados, ou seja, de homens e mulheres que, em Almeida, deixam de parte o seu conforto pessoal e se dedicam a combater diariamente em prol de um ideal coletivo:

Os valentes Soldados da Paz (Bombeiros Voluntários de Almeida), que diariamente se dedicam a prestar serviços inestimáveis à população local, muitas vezes com o risco da própria vida.

Os valentes Soldados do GRHMA, que se dedicam a contribuir para a preservação e a divulgação do património histórico-cultural de Portugal e de Almeida.


Após a cerimónia junto à Câmara Municipal de Almeida, seguiu-se um desfile até à recentemente renovada Praça 25 de abril.
 

Aqui podemos ver as tropas a desfilar pelas magnificas portas exteriores de S. Francisco.




Os soldados de infantaria, em ação.


Os soldados de artilharia aprontam-se para demonstrar a sua perícia no manuseamento da peça.


O trabalho esforçado merece sempre uma recompensa e umas das recompensas mais apreciadas pelas tropas é um bom convívio entre camaradas, à mesa. 


Aqui temos os soldados Paulo e Palanca, em acesa disputa para ver quem conseguia esvaziar mais rapidamente a travessa da comida. 

E notem que, nesta matéria, estes nossos amigos não deixam os seus créditos por mãos alheias...


E aqui temos o soldado Rui (à direita) a trocar "carinhos" com o nosso amigo Morgado (à esquerda) e a perguntar-lhe desde quando é que o Regulamento dos Bombeiros permite que a malta vista o uniforme com a barba por desfazer...


Pedro Casimiro

sexta-feira, 26 de abril de 2013

UNIFORMOLOGIA - Parte 3

Plano de Uniformes de 1806 

 Capotes e Sobrecasacas do exército Português

  III

Tabela Militares Combatentes 

Finalmente, uma tabela com a estrutura hierárquica do exército português da época, onde de uma forma esquemática é possível perceber o que o elemento de cada categoria hierárquico podia usar e como devia usar, em termos de agasalho (adaptada ao Grupo de Reconstituição Histórica do Município de Almeida).

Abril 2013
Eugénia Guedes

 

 

 

UNIFORMOLOGIA - Parte 2

Plano de Uniformes de 1806 

 Capotes e Sobrecasacas do exército Português

II

Capotes

Oficiais de Cavalaria

 
“In Plano de Uniformes de 1806”



Desenho de Manuel Isidro da Paz 1812


Como vemos no desenho de Manuel Isidro da Paz, o capote de inverno para o soldado de cavalaria era bastante folgado, de acordo com o Plano de uniformes de 1808, e bastante comprido e largo de forma a vestir sobre a farda e cobrir a sela do cavalo. Era igualmente confecionado em pano azul ferrete, assertoado (com bandas a sobrepor; modo que uma lapela sobreponha a outra), gola com todas as insígnias (caso as hajam) e canhões das mangas simples, de cores iguais (irmãs) à farda regimental com dupla fileira de 8 botões de metal amarelo; dois botões em cada canhão da manga; a banda, talabarte ou boldrié por cima do capote (ver desenho). 

Soldados




Capote Regimento de Infantaria nº 23



Capote Regimento de Artilharia nº 4


 “In Plano de Uniforme de 1806”


Desenho de Manuel Isidro da Paz 1812

Mais uma vez vimos nos desenhos de Manuel Isidro da Paz, a simplicidade dos capotes de inverno para soldados, bastante compridos e largos de forma a vestir sobre a farda. Eram igualmente confecionados em pano azul ferrete, gola e canhões simples das mangas de cores iguais (irmãs) à farda regimental; os soldados de infantaria e artilharia vestiram os seus apresilhados à frente com duas presilhas e uma presilha atrás a encerrar as pregas do capote (ver desenho).

Exemplos de presilhas


Eugénia Guedes


UNIFORMOLOGIA - Parte 1


Plano de Uniformes de 1806

 Capotes e Sobrecasacas do exército Português


Com as saídas do GRHMA que se avizinham e a contar com as noites frias que normalmente temos encontrado fora e dentro de Portugal, aqui vai mais uma recolha de elementos, adaptada ao nosso grupo, para que os mais corajosos gastem mais uns eurosinhos em mais um dos muitos acessórios do fardamento e sempre de acordo com o Plano de Uniformes de 1806.

Este tipo de publicações tem por único objetivo o de divulgar por todos os nossos camaradas e recriadores históricos as regras em vigor no séc. XIX em matéria de uniformes, de molde a que todos possamos manter o maior rigor possível nesta nossa atividade, em termos de uma reconstituição fidedigna e historicamente correta das vivências dos nossos antepassados, que naquele tempo optaram por envergar o uniforme para servir na defesa da Pátria.

I


Sobrecasaca

 

 Sobrecasaca Regimento de Infantaria nº23 





Sobrecasaca Regimento de Artilharia nº4


                          “In Plano de Uniforme de 1806”

Adaptando o artigo XIX do Plano de Uniformes de 1806, a descrição dos capotes para oficiais em geral seria nestes termos:
Em Uniforme de Inverno todos os Oficiais com excepção dos Oficiais de Cavalaria usarão sobrecasacas de pano azul ferrete assertoadas (com bandas a sobrepor; modo que uma lapela sobreponha a outra) e terão botões, gola e canhões irmãos (iguais) aos da farda…"

Pela descrição anterior e propriamente pelo termo “sobrecasaca”, este agasalho de inverno terá o comprimento até ao joelho, largo de forma a vestir sobre a farda; de pano azul ferrete, gola com todas as insígnias (caso as hajam) e canhões simples das mangas de cores iguais à farda regimental com dupla fileira de 8 botões de metal amarelo; dois botões em cada canhão da manga; a banda, talabarte ou boldrié por cima da sobrecasaca.


Como costuma ser habitual, o primeiro (e até agora único...) elemento do GRHMA a ter na sua posse uma réplica fidedigna de uma sobrecasaca de época, obviamente relativa ao Regimento de Artilharia nº 4,  é o nosso sargento Joaquim Guedes, que certamente tem um acesso privilegiado a um Arsenal do Exército...


Autoria da imagem: Carlos Marques.

Eugénia Guedes e Pedro Casimiro