terça-feira, 5 de setembro de 2017

XIII Recriação Histórica do Cerco de Almeida - Combate noturno (5)



Caríssimos(as),

Uma vez mais ficou confirmado que a noite é propícia para os combates!

Este ano e uma vez mais, os combates histórico-militares realizados na noite de sábado constituíram o ponto alto do Cerco de Almeida, com centenas de recriadores históricos a fazerem evoluções táticas no campo de batalha e com milhares de pessoas na assistência!

 

Desde logo, os soldados franceses aproveitaram o lusco-fusco para posicionarem a suas colunas de ataque, com vista a tentar surpreender os defensores da vila de Almeida.



Em termos operacionais, o combate histórico-militar  realizado este ano no Cerco de Almeida teve por objetivo recriar uma das estratégicas mais utilizadas há cerca de 200 anos, no confronto entre o exército imperial francês e o exército luso-inglês, no decurso da Guerra Peninsular, como sucedeu, designadamente, nas batalhas do Vimeiro e do Bussaco, bem como, e principalmente, na batalha de Waterloo (esta última batalha teve lugar na Bélgica).

Esta estratégia, delineada pelo General Arthur Wellesley (Duque de Wellington), tinha por objetivo aproveitar e condicionar a agressividade natural do exército imperial francês e, por um lado, maximizar uma das melhores caraterísticas do exercito aliado (a boa disciplina das tropas aliadas) e, por outro lado, limitar os efeitos da sua principal deficiência (a inferioridade numérica do seu exército).

Nesta medida e com estes objetivos, por via de regra o general Wellington promovia a colocação do seu exército em locais elevados, fazendo um uso inteligente da geografia do campo de batalha e ao mesmo tempo ocultando e colocando parte do seu dispositivo fora do alcance da artilharia francesa, que era sempre muito numerosa, poderosa e de elevada qualidade.

E assim, o exército luso-inglês aguardava, calmamente e em formação linear, nos cumes dos montes e/ou montanhas, a chegada das tropas francesas. Os franceses, por seu lado, eram naturalmente impetuosos e dedicavam-se a formar as suas habituais colunas de infantaria e assaltavam, com agressividade, as tropas luso-inglesas nesse dispositivo. Esta tática francesa tinha sido normalmente coroada de sucesso, em diversas batalhas ocorridas por toda a Europa, designadamente contra os exércitos prussiano, russo ou austríaco.

Todavia, contra o exército luso-inglês não foi assim. Isto porque, as tropas aliadas aguardavam serenamente a aproximação das colunas de infantaria francesas e só efetuavam disparos quando estas se encontravam a muito curta distância (cerca de 50 metros), maximizando o poder das armas de infantaria da época (mosquetes) e causando estragos devastadores nos adversários franceses.



E aqui temos a extensa linha de soldados de infantaria do exército luso-inglês em Almeida, a aguardar serenamente a chegada dos franceses, por entre a bruma e o fumo do campo de batalha!



Tal como há duzentos anos atrás, as tropas luso-inglesas fizeram um fogo devastador e a curta distância, que dizimou literalmente as fileiras do exército imperial francês!



O campo de batalha ficou literalmente pejado de baixas francesas...




As peças de artilharia presentes no campo de batalha também deram um contributo importante para a violência dos combates!



Os guerrilheiros e os populares também tiveram tempo e oportunidade para, no decurso dos combates, dar a entender aos franceses que não eram bem-vindos na Peninsula Ibérica...


O apoio espiritual é sempre bem-vindo, em qualquer conflito bélico!




E foi nestes termos e por estes motivos que, nesta ocasião, a batalha noturna se saldou numa retumbante vitória do exército luso-inglês!

No entanto e uma vez mais, os verdadeiros vencedores deste combate histórico-militar foram os numerosos recriadores históricos presentes, que se dispuseram a colaborar e a trabalhar em conjunto, apesar da diversidade das respetivas proveniências geográficas, para conseguir alcançar o objetivo pretendido.


O final dos combates é sempre assinalado por uma saudação geral e por um abraço fraternal entre todos os recriadores históricos presentes, que sublinha o facto de que as recriações históricas têm essencialmente por objetivo a evocação da memória dos nossos antepassados e a promoção da História dos nossos respetivos países, num ambiente fraterno e despido de toda e qualquer animosidade.





Como é habitual, ao combate histórico-militar seguiu-se um espetáculo piro-musical, que uma vez mais deliciou e deslumbrou o público presente!


Autoria das imagens: Armando Rui, Carlos Marques, Histoarts e Alma & You.


Pedro Casimiro




2 comentários:

  1. obg por me ter nomeado. como um dos autores das imagens. Ora , desculpe... afinal não fui.

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